Portugal quer alargar a base exportadora "mas também queremos diversificar e os países de língua portuguesa são a nossa prioridade", disse o responsável, que falava numa conferência em Maputo sobre "Investir em Moçambique para 250 milhões de Consumidores".
A conferência foi organizada pela Câmara de Comércio Moçambique-Portugal e pelo jornal "O País" e destinou-se essencialmente a empresários moçambicanos e portugueses, estes em grande número em Maputo no âmbito da mais importante feira comercial do país, a FACIM, que abriu terça-feira e termina domingo.
Moçambique poderá ser uma rampa para o mercado regional da SADC, Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, um mercado de 318 mil milhões de euros, onde as economias têm um crescimento médio anual de 7% e onde vivem 250 milhões de consumidores, salientou o secretário de Estado.
"É importante que consigamos ter aqui parceiros e fazer daqui base para podermos alargar à Africa do Sul e a outros países", disse Fernando Serrasqueiro, garantindo depois: "da parte do Governo português este é um mercado prioritário".
O secretário de Estado salientou o bom momento das relações políticas e económicas entre Moçambique e Portugal e lembrou que mais de 1300 empresas portuguesas exportam para Moçambique, estando no país mais cerca de outras 200 empresas de capitais portugueses.
Entre as 100 maiores empresas de Moçambique estão 28 com capitais portugueses, disse.
O ministro da Industria e Comércio de Moçambique, António Fernando, outro dos participantes na conferência, lembrou que o país está integrado na zona de comércio livre da SADC desde 2008.
A SADC devia ter aprovado também este ano a união aduaneira mas adiou a decisão, ficando também adiada a moeda única, prevista para 2018.
Ainda assim, disse o ministro, com os acordos de comércio livre aumentou o tráfego ferroviário e rodoviário, a movimentação de pessoas e o turismo. E, se as receitas aduaneiras baixaram, as receitas fiscais aumentaram.
Moçambique, para "catapultar o investimento" precisa de pelo menos três parques industriais e de investir na fiação do algodão, acrescentou o ministro.
Para uma plateia recheada de empresários portugueses António Fernando disse também que Moçambique precisa de investimentos na área das embalagens (vidro ou plástico), e na loiça sanitária "gostaria de começar" porque tem matéria-prima.
Necessária ainda uma indústria de mobiliário, porque madeira existe, outra de curtimento de peles e outra ainda de processamento de conservas de frutas. Para a zona Norte do país, rica em carvão, o ministro falou na necessidade de fábricas de alumínio e cimento, de produção de aço e de ligas de ferro.
"A SADC, pela nossa análise, é um mercado onde vale a pena investir", disse António Fernando.