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Artigos de Opinião
Bons ventos que vêm de fora
FotoPublicado no dia 20 de dezembro no Jornal Público

As previsões para o total de transações imobiliárias em 2017 são as mais positivas. Este, será o melhor ano na venda de casas, desde 2009. A minha perceção, como empresário do sector e dirigente do movimento associativo empresarial, acompanha este sentido crescente, que numa perspetiva mais cautelosa aponta para um crescimento de 20% em relação a 2016, que poderá chegar aos 25%, se formos mais otimistas.

Desde o final de 2013, que o número de transações imobiliárias tem vindo a aumentar, semestre após semestre, reforçando a retoma do sector imobiliário e acentuando a sua importância no panorama económico nacional. E não há dúvida de que esta retoma muito deve ao investimento estrangeiro, numa primeira fase influenciado pela criação de programas de captação de investimento, como o Programa de Autorização de Residência para Atividades de Investimento (denominados vistos gold) e pelo Regime Fiscal para Residentes não Habituais, que puseram Portugal nas bocas do mundo.

Hoje, apesar da importância que estes programas continuam a ter, há cada vez mais estrangeiros que procuram Portugal sem recorrer a quaisquer destes benefícios. Procuram um país seguro, com potencial de valorização, cujo investimento lhes traga mais segurança do que propriamente rentabilidade rápida.

De acordo com o Barómetro Imobiliário da APEMIP, cerca de 76% das empresas de mediação imobiliária respondentes, afirmaram que as suas empresas transacionaram até 25% dos ativos em carteira a clientes estrangeiros. Quase 9% dos inquiridos revelou que as suas empresas venderam entre 75% a 100% dos ativos em carteira a clientes internacionais.

Estes números, num mercado como o nosso que não tinha a tradição de vender a clientes estrangeiros (exceção feita à região do Algarve), são representativos do excelente trabalho de internacionalização que o sector levou a cabo além-fronteiras, um trabalho em que também a APEMIP apostou, tendo designado mercados-alvo como a França, Brasil ou Angola, que se confirmam como apostas ganhas, de acordo com os números do Barómetro APEMIP.

Do total das empresas inquiridas, 63,4% dizem que os franceses são a nacionalidade que mais compra, seguindo-se dos brasileiros, com 49,5%, que pela primeira vez ultrapassam os ingleses no panorama de investimento estrangeiro em imobiliário, apresentando estes uma representatividade de 17,8% (que no “bolo” nacional perdem apenas impacto por investirem maioritariamente na região do Algarve), a que se seguem os angolanos com 12,9%.

A importância do investimento estrangeiro neste sector continua a ser fulcral, sobretudo quando feita fora das grandes cidades, e esta descentralização está a acontecer.

 

Há cada vez mais estrangeiros a investir em cidades e até aldeias do interior, procurando o lado mais pacato da vida portuguesa, num investimento que se multiplica e que pode ser muito importante na dinamização e na fixação de população nestas regiões, que muitas vezes sofrem os efeitos da desertificação e da migração das populações mais jovens para as grandes cidades.

Mas também dentro das grandes cidades o fenómeno do investimento estrangeiro é importante, tendo-se estendido ao alojamento local, que deixou de se praticar apenas no Algarve, para ser um negócio noutras regiões do País.

Bem sei que a angústia dos jovens e famílias portugueses faz com que seja tentador apontar as culpas da falta de habitação ao turismo e ao investimento estrangeiro, mas é importante recordar que estes foram também responsáveis pela reabilitação urbana das cidades, que durante muitos anos se viram abandonadas, degradadas e até desertificadas, e pela retoma económica do País através da criação de muito emprego que salvou famílias e jovens.

Afinal, nem tudo é mau no investimento estrangeiro. Há lugar para todos, sobretudo num País que está a ser redescoberto por quem vem de fora.

Que esta tendência se mantenha e não seja travada por situações inesperadas.

Luis Lima

Presidente da APEMIP

luislima@apemip.pt

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