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Artigos de Opinião
Um regresso à normalidade no mercado imobiliário
FotoPublicado dia 27 de Agosto de 2010 no Sol

Nos Estados Unidos da América, país que nada tem de insuspeito em matéria de fidelidade às economias de mercado, o Governo de Barack Obama teme que a falta de liquidez no mercado de crédito pode ser fatal para o mercado imobiliário e, em consequência, para a própria economia norte-americana.

Na base destas preocupações estão as agências “governamentais” que garantem, desde o final da Grande Depressão dos anos 30 no século passado, liquidez ao mercado de crédito, agências como a Fannie Mae e a Freddie Mac que Washington salvou quando atacou os efeitos da crise do subprime.

Dois anos depois desta intervenção estatal salvadora, o Governo de Barack Obama equaciona o futuro destas agências, que nos Estados Unidos da América são o garante do funcionamento do mercado imobiliário, pela garantia de liquidez no crédito, com a única certeza da indispensabilidade de que haja crédito no mercado.

Isto mesmo o disse, há dias, o secretário do Tesouro do Governo de Barack Obama, Timothy Geithner, discursando em Washington, numa conferência sobre a reforma do mercado imobiliário, reconhecendo o enorme risco que a ausência de liquidez no crédito imobiliário acarretaria para o país.

Timothy Geithner reconhece que é difícil reformar o sistema mas, em qualquer dos cenários, diz que é fundamental que haja uma garantia para os empréstimos, nomeadamente do Governo. "Sem esse suporte, o risco de recessões futuras seria maior, pois o sistema financeiro não teria capital para aguentar os empréstimos imobiliários a uma escala adequada", reconheceu o secretário do Tesouro dos EUA, lugar que equivale aos ministros das Finanças nos governos da Europa.

Embora os sistemas sejam diferentes, a necessidade de garantir liquidez no mercado do crédito imobiliário é, também entre nós, fulcral para a própria recuperação económica. Entre nós, o papel desempenhado pelas agências como a Fannie Mae e a Freddie Mac é, em parte, atribuído à banca, razão pela qual esta também beneficiou dos apoios estatais na hora de replicar as ajudas que a crise do subprime ditou.

A questão – que não é de menor importância – exige a mais rápida solução para o regresso, nos dois lados do Atlântico, à normalidade de um mercado imobiliário a funcionar bem, o que implica poder socorrer-se de um crédito imobiliário líquido. Isto é vital para todos, incluindo para a própria banca que, entre nós, tem uma enorme palavra a dizer sobre a matéria.


Luís Carvalho Lima
Presidente da Direcção Nacional da APEMIP

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