Como disse Barack Obama, referindo-se às contas públicas dos Estados Unidos da América, numa declaração inesperada por ter sido proferida pelo presidente do país de economia mais liberal do Mundo, “não há muito mais a cortar” no Orçamento, sendo problemático suspender mais benefícios sociais.

“Cortar os benefícios dos seguros de desemprego tiraria 1 milhão de empregos e reduziria nosso crescimento em 0,5%”, disse o presidente dos EUA numa inesperada intervenção muito virada para dar resposta, à letra, à agência de notação que baixou a nota do país.

O défice público dos EUA também terá de baixar, mas o presidente advoga a adopção de uma reforma tributária que aumente os impostos dos mais ricos, “para que os americanos que tenham condição façam sua parte pelo país” em vez de cortes nos benefícios sociais.

Reduzir o défice e crescer para pagar as dívidas é o objectivo principal. Lá, nos Estados Unidos, como cá, em Portugal. Toda a gente está de acordo, o que aliás reforça a dimensão das divergências, sempre relacionadas com o modus faciendi de tal missão.

Cortar nas despesas do Estado, nomeadamente pela quebra do investimento público, é uma das soluções mas tem o inconveniente de baixar o ritmo de um dos motores para o crescimento, crescimento aliás necessário para gerar riqueza suficiente para pagar as dívidas acumuladas.

Diminuir o rendimento das populações é outra solução clássica, que gerará uma diminuição da procura interna e, em consequência, um claro e inequívoco abrandamento de outro dos motores do nosso desenvolvimento económico.

Restará apenas o aumento das exportações e a captação de capitais externos dispostos a investir entre nós? Entre nós, talvez haja ainda outro item significativo, incluído na necessária Reforma do Estado, o dos desperdícios das burocráticas máquinas administrativas.

Não se pode desperdiçar nada em matéria de poupança, quando a palavra de ordem é, ou deve ser, potenciar tudo o que nos faça reduzir o défice sem pôr em causa a necessidade do nosso próprio crescimento. Para satisfação das nossas obrigações que incluem o nosso próprio e justo bem-estar.

Luís Lima
Presidente da APEMIP
luis.lima@apemip.pt

Publicado no dia 16 de Agosto de 2011 no Jornal de Notícias e Diário de Notícias

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